A risografia foi inventada no Japão na década de 1980 e continua a ser uma técnica de impressão popular. Neste artigo, podes saber mais sobre a impressão risográfica.
A risografia foi inventada no Japão na década de 1980 e continua a ser uma técnica de impressão popular. Neste artigo, podes saber mais sobre a impressão risográfica.
Talvez te surpreenda saber que uma das técnicas de impressão digital mais populares para banda desenhada, revistas e obras de arte foi inventada na Ásia há pouco mais de quarenta anos. A impressora risográfica foi desenvolvida no Japão na década de 1980 e concebida inicialmente para oferecer a escritórios e escolas uma forma económica de produzir fotocópias e impressões em grande volume. No entanto, rapidamente se tornou um sucesso entre artistas e designers graças aos seus elementos visuais únicos.
Embora não seja uma técnica de impressão precisa, a risografia possui um estilo próprio e inconfundível. Com cores intensas e vibrantes, imagens ligeiramente desalinhadas e texturas surpreendentes, a risografia tornou-se rapidamente popular entre artistas, publicitários e criadores de revistas e bandas desenhadas independentes.
Graças ao seu estilo singular, a risografia continua a ter um grande número de seguidores. Muitas gráficas digitais oferecem atualmente serviços de impressão risográfica, e esta técnica continua a ser utilizada por editores, artistas e autores independentes.

A risografia teve origem no Japão em meados da década de 1980. A Riso Kagaku Corporation, uma empresa de impressão e tinta, inventou uma duplicadora digital conhecida como Risograph 007. A risografia utiliza uma técnica de impressão única que combina elementos da fotocópia e da serigrafia.
A Risograph 007 foi uma verdadeira fusão de tecnologias analógicas e digitais. Uma Risograph cria primeiro um molde, chamado “máster”. Este é enrolado à volta de um tambor cheio de tinta à base de soja. À medida que o papel é alimentado na máquina e passa por baixo do tambor, a Risograph pressiona a tinta sobre o papel através do molde.
Cada cor requer uma passagem separada pela impressora, semelhante ao processo de serigrafia. À medida que as camadas de cor se acumulam, podem surgir pequenos desalinhamentos — é precisamente isso que dá à risografia o seu charme peculiar e o seu toque artesanal.
A risografia é um método de impressão muito económico, rápido e ecológico. Embora não seja tão preciso como outros métodos, o seu aspeto ligeiramente descentrado confere-lhe um grande apelo visual. É uma técnica sustentável, pois não consome água, utiliza pouca energia e cada máster pode imprimir até 8000 cópias.
Originalmente, a Riso Kagaku Corporation pretendia que a sua invenção fosse usada para impressões económicas em escolas, empresas e organizações. No entanto, a falta de consistência nos resultados e o avanço de outras tecnologias de impressão e fotocópia fizeram com que a Risograph perdesse popularidade no uso corporativo e educacional.
Página interior da banda desenhada ‘La Manticore’ de Mayeul Vigouroux, publicada pela Quintal, 2022.
Mas a risografia estava longe de desaparecer. Os resultados de impressão irregulares e imprevisíveis tornaram-se um sucesso entre artistas e editores independentes. As imperfeições inerentes à risografia passaram a ser vistas como encantadoras e autênticas, em vez de desleixadas.
O método de sobreposição e a paleta de cores limitada da máquina Risograph atraíram artistas curiosos por experimentar os seus efeitos visuais ousados. Cada impressão risográfica é única, tornando esta técnica perfeita para artistas, apesar da sua inconsistência.
O baixo custo da risografia também a tornou atrativa para quem queria autopublicar revistas, cartazes, bandas desenhadas e livros. As impressoras risográficas permitiram a artistas e coletivos alternativos criar tiragens pequenas e médias visualmente apelativas sem gastar muito dinheiro.
As cores intensas, ligeiramente difusas e muito vibrantes da risografia fazem com que esta técnica continue a ser preferida por muitos artistas e editores. Artistas contemporâneos como Tianying Yu, Daria Tessler, Shun Sasaki e Vincent Patterson ainda utilizam a risografia nas suas obras. Estes criadores produzem trabalhos impactantes, criativos e lúdicos, tirando partido das imperfeições características desta técnica.
Existe até um grupo de artistas dedicado à risografia. O Riso Sur Mer é um coletivo criativo formado por Mari Campistron, Élise Rigollet, Inès Gradot, Josephine Ohl e Margaux Bigou. As artistas descobriram que partilhavam uma paixão comum pelas cores vibrantes e pelas texturas únicas da impressão risográfica.
Muitos designers de moda preferem a risografia, pois permite criar várias peças únicas a partir de um único molde. Embora produza um resultado semelhante, a risografia é mais rápida, requer menos limpeza e é mais ecológica do que a serigrafia.
As editoras de livros de arte de tiragens curtas e revistas independentes continuam a usar a risografia. A sua acessibilidade, rapidez de produção e apelo visual distinto tornam-na uma escolha viável para editoras pequenas.
A impressão risográfica é uma técnica singular que se destaca no nosso mundo digital. Talvez esteja na hora de a experimentares!