Meio Ambiente

1452361_1007525935931504_8711594950547281339_n.jpg

Mesa redonda no Cap COP21 com Olivier Guichardon, Director de RSC Sequana.

Como pode um negócio no sector industrial estar comprometido com o meio ambiente, especialmente quando se enfrenta a situações económicas difíceis?

A Antalis forma parte do grupo (Sequana) que reúne as actividades de produção de papel que tem um óbvio impacto sobre o meio ambiente(800.000 toneladas de papel produzido) e actividades de distribuição de papel (2 milhões de toneladas distribuídas).

O principio básico que sustenta a política de RSC do grupo é:"queremos criar valor de forma responsável" Que significa isto, especialmente num contexto económico difícil? Como podemos implementar acções que transformam este desejo em realidade?

Do meu ponto de vista, é necessário:

  1. Identificar e classificar os nossos impactos meio ambientais,

  2. Minimizar esses impactos para reduzir a exposição do grupo aos riscos, ao mesmo tempo que criamos oportunidades. As acções identificadas devem estar completamente integradas no modelo económico da empresa e não deveriam estar desconectadas ou desenvolver-se "em paralelo" com a actividade da empresa.

Podem distinguir-se dois tipos de actividade: regulada (com o objectivo de cumprir ou antecipar as regulamentações) e voluntária.

Resumindo: na ausência de um quadro de regulação restritiva, uma empresa apenas se compromete numa acção voluntária se associada a um retorno do investimento (económico, imagem, competitividade). Nós, por tanto, esforçamos-nos para identificar e implementar acções que nos permitam criar um valor real mas que também contribuía para reduzir o impacto meio ambiental ou social das actividades do grupo.

Como se produz o retorno do investimento neste campo? Pode dar-nos algum exemplo?

Em 2013, a Antalis implementou uma plataforma de rastreabilidade dos seus fornecedores. Até ao dia de hoje, nada nos obriga (exceto para produtos importados directamente de zonas fora da Europa - EUTR), a rastrear a procedência das espécies de árvores utilizadas para produzir o papel que vendemos nem o seu país de origem, mas escolhemos de forma comprometida este caminho. Tomámos esta decisão depois dos acontecimentos dos últimos tempos - os clientes e consumidores finais perguntam, cada vez com maior frequência, pela garantia e transparência dos produtos que compram e cada vez mais surge na opinião pública uma forte relação entre um determinado sector e um assunto social, progressos industriais - por ex: os relacionados com a industria alimentar e a saúde, que exigem urgentemente o reforço da rastreabilidade e o fornecimento de produtos; o sector têxtil e os direitos humanos incluindo a exploração infantil.

Temos uma relação directa com os bosques assim como com o papel essencial de preservar o planeta (regulação climatológica y biodiversidade) y los problemas relacionados com la conservação (desflorestação, degradação florestal). Devemos, por tanto, una grande responsabilidade com todos los grupos de interesse.

Esta plataforma permite-nos responder aos nossos clientes de uma forma clara e transparente sobre a origem dos produtos que compram e garantem a origem dos produtos que compram e garante que a origem dos nossos produtos é responsável. Claro que, é um processo contínuo de melhora e leva o seu tempo.

Como define a vossa responsabilidade em relação à gestão da energia? E como contribui a Sequana para a transição energética na França?

Estamos envolvidos na transição de energia do lado da produção (a Arjowiggins representa quase 98% do consumo de energia total do grupo). As nossas 20 fábricas consomem anualmente aproximadamente 25 gigawatts de energia (o equivalente ao consumo anual de uma cidade como Nantes). Temos várias áreas de desenvolvimento que incluem, primeiro e sobre tudo, a substituição dos combustíveis fósseis por energias renováveis. Uma fábrica que funciona com biomassa tem um impacto directo sobre as emissões de CO2 sete vezes menor. Uma segunda área na que trabalhamos é a eficiência energética das nossas ferramentas de produção através de acções responsáveis. Desde esta perspetiva, todas as nossas fábricas da Arjowiggins obtiveram a certificação ISO 50001 em 2014. No entanto, mais além desta certificação, devemos incutir uma cultura real de consumo de energia no nosso negócio, como já fizemos com a qualidade e a segurança. Em 2014, só na divisão da Arjowiggins Graphics, reduzimos 2,5% a nossa factura energética e por tanto as emissões associadas.

Na sua opinião, que meios existem para financiar este tipo de máquinas? Neste ponto gostaria de lhe relembrar que o tema dos investimentos e do retorno deste das estratégias de emissões de carbono serão apresentadas durante o próximo evento CAP COP 21 que terá lugar entre 21 e 23 de Junho.

É muito importante que o Estado, que (com grande ênfase) favorece a financiamento de tecnologias inovadoras, deve também fazer o maior esforço possível para facilitar o investimento financeiro em acções mais tradicionais relacionadas com a eficiência energética que oferece a redução substancial do consumo, e por tanto, nas emissões significativas associadas a este.

A floresta, está obviamente, muito ligada à industria do papel, mas proteger as florestas é um elemento chave na luta contra a emissão de gases de efeito de estufa. Como industria que explora esta matéria-prima, como gerem esta contradição?

Não se trata de uma contradição. Temos muita sorte, estamos numa industria que utiliza uma matéria-prima renovável. Se se fazem as coisas correctamente, não reduzimos este recurso finito. Apesar disso, assumimos uma grande responsabilidade garantido que a matéria-prima é renovada de forma sustentável.

Dois aspectos fundamentais: contribuir para a protecção das reservas naturais e garantir a gestão responsável das florestas que se utilizam.

Temos um grande número de responsabilidades como actor da indústria do papel:

  • Garantir que a madeira utilizada no fabrico dos produtos distribuídos não procede de reservas naturais (fundamentais para a regulação do clima). As florestas naturais devem ser protegidas (sacralizadas).

  • Garantir aos nossos clientes que a madeira utilizada na produção de produtos de papel tem origem em florestas certificadas que são, em si mesmas, uma solução para o clima. Aumentando a proporção de madeira certificada (FSC® e PEFC), jogamos o nosso papel no aumento das florestas sem esgotar as reservas naturais.

  • Responsabilidade para com os nossos clientes: baseado no principio das 3 R, animamos os nossos clientes (impressores, agências, grandes empresas) a utilizar papéis eco-responsáveis  => para isso criámos o Green Star System (GSS), uma ferramenta que ajuda os clientes a tomar decisões mais claras e fundamentadas e lhes permite escolher um produto em função do seu nível de eco-responsabilidade.

  • Promover a utilização de papéis reciclados (que utilizam, durante toda a vida, metade da energia e três vezes menos quantidade de água) entre os nossos clientes (autoridades locais, empresas, departamentos de compras).

  • Responsabilidade para lutar contra os mitos que afirmam que a utilização do papel é prejudicial para o meio ambiente e o planeta, particularmente quando comparado com a desmaterialização. As (TIC) tecnologias da Informação e a comunicação estão muito muito longe de ser inofensivas com o meio ambiente e o clima (em 2014, as emissões do sector das TIC ultrapassaram as do sector da aviação). A Antalis está a desenvolver ferramentas para melhorar a comunicação sobre as vantagens de utilizar papel eco-responsável (por ex. o Vídeo Sabia que?).

As nossas ferramentas:

  1. O Green Star System: classificação de 0 a 5 estrelas, eco-responsáveis a partir de 3 estrelas.

  2. O Green White Paper: uma ferramenta que permite a qualquer organização implementar uma política global para a gestão responsável dos recursos de papel. Esta ferramenta também fomenta e promove o papel reciclado através da filosofia das 3 R.

  3. O Vídeo ¿Sabia que?: um filme que esclarece os mal-entendidos sobre o papel e os seus impactos.

  4. Somos a primeira empresa que implementou uma plataforma de fornecedores com a intenção de calibrar a rastreabilidade dos mesmos e avaliar os riscos.


O que se espera conseguir na COP21?

Neste momento, não existem leis que teoricamente obrigam as administrações a utilizar papel reciclado. Não foram colocadas em prática. Não só é importante que trabalhemos numa regulação; mas também o é a sua implementação e fiscalização.

A nível global, a COP 21 deve fomentar um acordo obrigatório que se aplique em todos os países do mundo. Cada país deve ter uma mapa de rota específico e apropriado que os comprometa. Já não é possível permitir que apenas algumas partes do mundo se comprometam em reduzir as emissões (como o protocolo de Kyoto) e que outras regiões estejam isentas de todas as obrigações.

Em quanto à necessária participação das empresas neste assunto, é muito importante encontrar um equilíbrio entre as regulações restrictas e os sistemas que fomentam acções voluntárias. A norma deve ajustar-se às empresas para que estejam plenamente comprometidas e tenham como objectivo implementar acções que criem uma valor real.